Adotar um cão em abrigo ou ONG no Brasil significa levar para casa um animal que, segundo o eCycle, costuma chegar com vacinação, vermifugação e castração já feitas, e alguns com microchip. Isso pode reduzir parte das providências de saúde que você faria sozinho, desde que haja registro escrito, e permite escolher um cão adulto, cuja personalidade já está mais definida. O exame de um veterinário continua necessário.

Por que adotar em abrigo ou ONG?

Observar o comportamento do animal dentro do abrigo é mais útil do que basear a escolha em expectativas sobre um filhote que ainda vai mudar.

O que o cão costuma chegar com

ItemSituação típica na entrega (eCycle)O que confirmar antes de levar
VacinaçãoCostuma vir vacinadoCartão com as datas das aplicações e o responsável que registrou
VermifugaçãoCostuma vir vermifugadoData da última aplicação anotada na ficha de entrega
CastraçãoCostuma vir castradoRegistro do procedimento e data em que foi feito
MicrochipAlguns vêm com microchipNúmero escrito no documento de entrega

Depois da adoção, leve o cão a um veterinário para avaliação clínica. O registro do abrigo mostra o que foi feito antes, mas não substitui o exame do animal no novo lar.

Microchip e identificação

A ficha indica que apenas alguns cães chegam com microchip, então não se deve presumir que o animal tenha um. Se o número estiver no documento de entrega, confirme se ele corresponde ao cão que você está levando. Caso o cão não tenha microchip, pergunte à entidade se ela realiza a identificação antes da entrega e como ela registra esse procedimento.

CCZ ou ONG: diferenças práticas

Ambos os canais aparecem entre as formas de adoção listadas pelo eCycle. O que muda é quem administra o animal antes da entrega:

  • CCZ: órgão de controle de zoonoses da cidade, que recebe e mantém animais sob sua responsabilidade e os disponibiliza para adoção.
  • ONG ou entidade de proteção animal: organização que recebe e cuida dos animais, com seus próprios protocolos e registros.

Em ambos os casos, a qualidade do histórico depende do registro feito pela entidade. Pergunte quem fez a triagem inicial, onde o cão estava antes de chegar e quem assina a ficha de saúde. Essas respostas mostram se o histórico do animal pode ser acompanhado depois da adoção.

Por que adotar em abrigo ou ONG?

Onde encontrar cães para adoção

No Brasil, um cão para adoção sai de quatro tipos de canal: o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da cidade, os canis públicos, as ONGs e protetores independentes, e os sites e feiras de adoção. A diferença principal está em quem responde pelo animal: o poder público ou uma entidade de proteção animal. Essa responsabilidade define quem faz a entrega e quem pode dar informações sobre a história do cão.

CanalEntidade responsávelO que o diferencia
CCZ e canis públicosÓrgão municipal de controle de zoonosesO animal está sob guarda do poder público, e a adoção é feita pelo próprio órgão
ONGs e protetores independentesAssociação ou pessoa que abriga animaisAnimais mantidos em abrigos ou casas de acolhimento, com contato direto com quem os cuida
Sites de adoçãoAnunciante, que pode ser pessoa, protetor ou entidadeIntermediação online; a verificação depende de quem publicou o anúncio
Feiras de adoçãoEntidade ou protetor que expõe os animaisEntrega feita pela entidade expositora, no local do evento

Como funciona o processo de adoção?

A adoção de um cão em abrigo segue, em geral, cinco etapas: escolha do canal, entrevista de triagem, visita ou adaptação, formalização e acompanhamento pós-adoção. Cada entidade define a própria ordem e o nível de exigência, então a sequência abaixo descreve o padrão, não uma regra única.

EtapaO que acontece
1. Escolha do canalVocê entra em contato com o CCZ, a ONG ou o site e pergunta quais cães estão disponíveis e quais são as exigências.
2. Entrevista de triagemAlgumas entidades entrevistam o interessado. A conversa avalia a rotina, o espaço da moradia, o tempo disponível e quem vive no domicílio.
3. Visita ou adaptaçãoAlgumas entidades visitam o lar antes da entrega. Os prazos de adaptação variam e devem ser perguntados diretamente à entidade.
4. Entrega e formalizaçãoA entidade confere a documentação exigida, entrega o animal e colhe a assinatura do termo de compromisso.
5. AcompanhamentoQuando previsto, a entidade faz contatos para saber como o cão se adaptou. A forma e a frequência variam.

A entrevista é a etapa de triagem: serve para a entidade identificar se a família tem condições de manter o animal e para o adotante entender a rotina do cão. Ela não é obrigatória em todos os casos, então vale perguntar antes de agendar a visita.

Na visita, o foco costuma ser a adequação do espaço e a presença de outros moradores ou animais. Se a entidade não fizer visita, a adaptação fica sob responsabilidade do adotante, e o primeiro contato com a entidade pode ser o único ponto de apoio, por isso confirme como tirar dúvidas depois da entrega.

O acompanhamento pós-adoção é o período em que a entidade mantém contato para verificar a adaptação. Se houver intenção de devolver o cão, procure a entidade antes de qualquer decisão, pois ela é o canal previsto para essa situação.

A pena prevista é reclusão de 2 a 5 anos, com multa e proibição da guarda do animal, conforme o §1º-A acrescentado ao art. 32 da Lei 9.605/1998 (Presidência da República / Planalto, 2020-09-29).

Documentos e termo de responsabilidade

Para adotar um cão em abrigo no Brasil, o adotante costuma apresentar três documentos pessoais: RG, CPF e comprovante de residência. Depois, assina um termo de responsabilidade no momento da entrega. Essa etapa formaliza a passagem do animal e registra quem passa a ser o responsável por ele.

Documentos pedidos ao adotante

  • RG: documento de identidade do adotante.
  • CPF: identifica o responsável pelo animal.
  • Comprovante de residência: confirma o endereço onde o cão vai morar.

Segundo o eCycle, esses são os documentos que os adotantes costumam apresentar, seja no CCZ, em ONGs, em sites de adoção ou em feiras. A lista exata pode variar de uma instituição para outra, por isso vale confirmá-la antes da visita. Alguns grupos também fazem entrevista, o que costuma acontecer além da conferência dos documentos.

Termo de responsabilidade

O termo é o documento assinado na entrega. Cada instituição redige o próprio texto, então suas cláusulas podem diferir. Em termos gerais, o documento formaliza que o adotante assume a guarda do animal e a responsabilidade pelos seus cuidados a partir da entrega.

Antes de assinar, leia o texto inteiro e peça esclarecimento sobre qualquer item que não entenda. Guarde uma cópia assinada, pois ela comprova a adoção e os compromissos assumidos.

Registro de dados do adotante e do animal

Além do termo, a instituição normalmente faz um cadastro que reúne os dados de quem adota e os dados do animal entregue, vinculando as duas partes. Esse registro permite que a instituição identifique o adotante caso precise entrar em contato depois da entrega.

Ao receber o cadastro, confira se nome, documento e endereço estão corretos e se os dados do cão, como nome, idade e porte informados pela instituição, batem com o animal que você está levando.

Documentos e termo de responsabilidade

Filhote ou adulto: qual escolher?

Protetores costumam desaconselhar filhotes porque a personalidade ainda está em formação, e cães adultos tendem a ser mais fáceis de treinar e de se adaptar a uma casa nova. Ainda assim, a escolha depende de três critérios: o temperamento que você consegue avaliar antes da adoção, a disponibilidade para treinar e a compatibilidade com sua rotina e com os outros animais do lar.

Personalidade ainda em formação nos filhotes

O temperamento de um filhote não está definido. O comportamento observado no abrigo pode mudar nas semanas seguintes, quando o animal passa a conviver com novos ambientes, pessoas e barulhos. Adotar um filhote é, portanto, uma aposta: ele pode se revelar calmo ou medroso, sociável ou arisco, e isso só fica claro com o tempo.

Com um cão adulto, o temperamento já aparece com mais clareza. Antes de decidir, peça ao responsável pelo animal informações sobre a reação dele a estranhos, a outros cães, a barulhos e ao manuseio.

Treinabilidade e adaptação de cães adultos

Cães adultos costumam aprender comandos básicos e regras da casa com mais facilidade e se ajustam a uma rotina já estabelecida. A adaptação, porém, tem fases: nas primeiras semanas, o animal pode se mostrar retraído ou testar limites. Nesse período, convém adotar regras simples e iguais para todas as pessoas da casa.

Para avaliar o ponto de partida, observe como o cão responde a comandos como sentar e vir quando chamado, e se aceita coleira e guia. Pergunte também se ele já passou por alguma forma de treinamento. Essas informações mostram quanto trabalho de adaptação você deve esperar.

Em filhotes, o treino começa do zero e depende da constância do tutor na formação de hábitos. Isso exige mais tempo e supervisão, mas também permite moldar o comportamento desde cedo.

Compatibilidade com rotina e outros animais

Antes de escolher, avalie quanto tempo o cão ficará sozinho, quem fará os passeios e com que frequência você poderá supervisioná-lo. Um filhote demanda mais atenção em tempo integral, enquanto um adulto costuma ter comportamento mais previsível, embora ainda precise de atividade diária.

Se já houver outros animais em casa, leve-os ao abrigo para observar a interação com o candidato à adoção. Pergunte à equipe se o cão já conviveu com cães, gatos ou outras espécies. Esse dado é mais útil do que suposições sobre a raça ou a idade aparente do animal.

O que preparar antes de levar o cão para casa

Antes da chegada do cão adotado, a casa precisa de um espaço seguro, de uma área de descanso fixa, de um estoque básico de alimentação e higiene, de uma rotina escrita para os primeiros dias e da data da primeira consulta com um médico-veterinário. Com esses itens prontos, a adaptação tende a ser mais previsível para o animal e para a família.

Espaço seguro

Escolha um cômodo ou canto de uso fixo, com acesso controlado a fios elétricos, produtos de limpeza, medicamentos de uso humano e alimentos da mesa. Verifique portões, janelas e grades, pois um cão recém-chegado pode explorar o ambiente ou tentar fugir antes de conhecer a rotina da casa. Em imóveis com quintal, confira cercas e vãos sob os portões.

Área de descanso

Monte a cama em um ponto afastado de corrente de ar e de passagem intensa de pessoas. O tamanho deve permitir que o cão se deite e se vire com conforto. Prefira um modelo lavável, já que pelos e sujeira se acumulam. Mantenha a cama longe do comedouro e do bebedouro, para que o animal tenha dois locais distintos.

Itens básicos de alimentação e higiene

ItemPara que serve
Comedouro e bebedouro estáveisReduzem derramamento e facilitam a limpeza após cada refeição
Ração no mesmo tipo que o cão já comeEvita mudanças bruscas no intestino durante a adaptação
Guia e coleira ou peitoral com identificaçãoPermitem passeios seguros e a identificação em caso de fuga
Escova adequada ao tipo de pelagemRemove pelos soltos e facilita a manutenção
Shampoo específico para cãesProdutos de uso humano não são indicados para a pele do animal
Sacos para recolher dejetosMantêm a higiene nos passeios e nas áreas comuns
Produto para limpeza de urinaRemove o odor e reduz a chance de marcação no mesmo local

Plano de passeios e rotina

Defina horários fixos para alimentação, passeios e descanso desde o primeiro dia. Comece com trajetos curtos e conhecidos, observando sinais de cansaço e de estresse, como ofegância excessiva ou recusa em andar. Evite apresentar o cão a muitas pessoas, animais ou ambientes ao mesmo tempo. Anote o horário das refeições, da urina e das evacuações, além de como o animal reage a barulhos. Esse registro ajuda na conversa com o veterinário.

Primeira consulta veterinária

Agende a consulta nos primeiros dias após a chegada. Leve a ficha ou os documentos recebidos na adoção, incluindo registros de vacinação, vermifugação e castração, e o número do microchip, caso o animal tenha um. Anote também as dúvidas sobre alimentação, comportamento e rotina, para que sejam esclarecidas na mesma consulta. O veterinário define quais exames e medidas são necessários.

O que a lei diz sobre maus-tratos e eutanásia em órgãos de controle?

No Brasil, a lei federal trata os maus-tratos a cães e gatos como crime e também limita o que os órgãos públicos podem fazer com animais recolhidos. Para quem adota em abrigo, isso define o que um canil ou CCZ pode e não pode fazer com um animal sob sua guarda.

Penas para maus-tratos

Pelo §1º-A acrescentado ao art. 32 da Lei 9.605/1998, os maus-tratos a cães e gatos são punidos com:

  • reclusão de 2 a 5 anos;
  • multa;
  • proibição da guarda do animal.

Fonte: Presidência da República (Planalto), publicação de 29/09/2020.

Limites para a eutanásia em órgãos de controle

Órgãos de controle de zoonoses, canis públicos e estabelecimentos oficiais congêneres não podem eliminar cães e gatos. A exceção se aplica somente a doenças graves ou infectocontagiosas incuráveis que coloquem em risco a saúde humana ou de outros animais, e exige laudo do responsável técnico.

SituaçãoRegra segundo a norma
Animal sem doença infectocontagiosa incurável que represente riscoEutanásia não permitida
Doença infectocontagiosa incurável com risco à saúde humana ou de outros animaisEutanásia permitida, com laudo do responsável técnico
Doença infectocontagiosa incurável sem risco à saúde públicaPode ser disponibilizado para resgate por entidade de proteção animal

Fonte: Presidência da República (Planalto), publicação de 20/10/2021.

Resgate por entidade de proteção animal

Quando a doença infectocontagiosa incurável não representa risco à saúde pública, o animal pode ser disponibilizado para resgate por entidade de proteção animal (Presidência da República / Planalto, 2021-10-20).

Perguntas frequentes

Quais documentos preciso apresentar para adotar um cão em abrigo?

Os adotantes costumam apresentar RG, CPF e comprovante de residência, e alguns grupos fazem entrevista antes da entrega. Ao final, assina-se um termo de responsabilidade. As exigências variam conforme a entidade, então confirme a lista antes da visita (eCycle).

O que acontece se o cão tiver uma doença infectocontagiosa incurável?

A eutanásia só é permitida quando a doença representa risco à saúde humana ou de outros animais, e exige laudo do responsável técnico (Planalto, 2021-10-20). Se a doença não oferecer risco à saúde pública, o animal pode ser liberado para resgate por uma entidade de proteção animal.

Quais são as consequências legais de maltratar o cão depois da adoção?

Maus-tratos a cães e gatos são punidos com reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda do animal, conforme o §1º-A acrescentado ao art. 32 da Lei 9.605/1998 (Planalto, 2020-09-29). A proibição da guarda significa que o tutor perde o direito de manter o animal.